Monte o inventário de riscos psicossociais
O primeiro passo é listar, de forma explícita, quais fatores de risco psicossocial fazem sentido investigar na sua empresa. Os mais comuns, segundo o Guia do MTE e os instrumentos validados:
- Sobrecarga de trabalho (demandas excessivas, prazos inatingíveis)
- Falta de autonomia e controle sobre o próprio trabalho
- Assédio moral ou sexual
- Conflitos interpessoais e relações tóxicas
- Insegurança no emprego
- Falta de clareza de papel e responsabilidades
- Gestão de mudanças organizacionais mal comunicadas
Esse inventário não precisa ser definitivo agora — ele é refinado depois que os dados da avaliação chegam, mas serve como ponto de partida documentado.
Escolha um instrumento de avaliação validado
A NR-1 exige metodologia documentada, não um instrumento específico. Os mais usados:
HSE-IT
35 perguntas, 7 dimensões (demandas, controle, suporte de gestor e colegas, relacionamentos, papel, mudança). Criado pelo órgão de saúde e segurança do Reino Unido, é o instrumento usado pelo ZenTrack.
COPSOQ
Questionário dinamarquês, mais extenso, com versões longa, média e curta. Muito citado no Guia do MTE e em ferramentas brasileiras de compliance.
Qualquer instrumento validado cientificamente serve — o importante é documentar qual foi usado e por quê, e manter o mesmo instrumento em ciclos futuros para permitir comparação histórica.
Colete as respostas de forma anônima
O anonimato não é só boa prática — é o que garante respostas honestas. Pontos essenciais nessa etapa:
- Nunca vincule a resposta individual ao nome do colaborador nos relatórios
- Agrupe por setor/departamento, nunca por indivíduo
- Estabeleça um piso mínimo de respondentes por grupo (recomendado: 5) antes de exibir qualquer resultado — grupos menores facilitam identificação indireta
- Busque pelo menos 50% de taxa de resposta por setor para validade estatística
Calcule o risco por dimensão e por setor
Com as respostas em mãos, calcule a média de cada dimensão (demandas, controle, suporte etc.) por setor e classifique em níveis de risco. Usando o HSE-IT como referência, a escala mais comum (1 a 5) é:
≥ 3,7
Verde — baixo risco
2,8 – 3,7
Âmbar — atenção
< 2,8
Vermelho — crítico
Esse cálculo, feito manualmente em planilha para várias dimensões e setores, é trabalhoso e sujeito a erro — é exatamente o tipo de etapa que ferramentas de software automatizam.
Crie o plano de ação com prazos e responsáveis
Para cada dimensão classificada como âmbar ou vermelha, defina ações corretivas concretas — não genéricas como "melhorar comunicação". O plano precisa ter:
- Ação específica (ex: "implementar 1:1 semanal entre líder e equipe")
- Responsável nomeado pela execução
- Prazo — recomendação de mercado: crítico (vermelho) em até 7 dias, atenção (âmbar) em até 30 dias
- Critério de sucesso para considerar a ação concluída
Monitore continuamente e documente tudo
O PGR não é um documento estático — a NR-1 exige monitoramento contínuo e revisão quando houver mudanças organizacionais significativas. Na prática:
- Repita a avaliação completa periodicamente (recomendação: ao menos uma vez por ano)
- Acompanhe indicadores leves entre ciclos (ex: pulso semanal de humor por setor)
- Registre datas, resultados e decisões — não só o documento final
- Mantenha todo o histórico retido por 20 anos, conforme exigido pela NR-1
- Tenha um responsável técnico aprovando formalmente cada versão do relatório
As 6 etapas, automatizadas
O ZenTrack cobre as 6 etapas deste guia dentro da plataforma — sem planilha, sem cálculo manual:
- Questionário HSE-IT pronto, distribuído por link anônimo
- Cálculo automático de risco por dimensão e setor, com piso de anonimato
- Plano de ação gerado automaticamente (templates ou IA), com prazo por severidade
- Aprovação formal por responsável técnico e certificado público verificável
- Pulso de bem-estar contínuo entre ciclos de avaliação completa
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O que precisa estar no PGR para cobrir riscos psicossociais?
O PGR precisa conter: inventário de riscos psicossociais identificados (sobrecarga, assédio, falta de autonomia, conflitos, insegurança no emprego, entre outros), a metodologia usada para identificá-los, um plano de ação com medidas, prazos e responsáveis, e registros de monitoramento contínuo. Tudo deve ficar documentado e retido por 20 anos.
Qual instrumento usar para avaliar riscos psicossociais?
Os mais usados no Brasil são o HSE-IT (35 perguntas, 7 dimensões, recomendado pelo órgão britânico que o criou e amplamente adotado) e o COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire, mais extenso). O Guia do MTE também traz um modelo próprio com 13 fatores. Qualquer um validado cientificamente é aceito, desde que a metodologia esteja documentada.
Quantos colaboradores precisam responder a avaliação para ser válida?
Não há um número exigido por lei, mas a prática de mercado considera uma amostra representativa a partir de 50% dos colaboradores de cada setor. Taxas de resposta muito baixas (abaixo de 30-40%) fragilizam a validade estatística do diagnóstico e podem ser questionadas em uma fiscalização.
Quem pode assinar o PGR com riscos psicossociais?
Em empresas com SESMT próprio, o profissional responsável (engenheiro ou técnico de segurança do trabalho, médico do trabalho). Em empresas sem SESMT, qualquer responsável técnico habilitado contratado especificamente para essa finalidade. A responsabilidade técnica formal dá validade jurídica ao documento em caso de fiscalização.
Posso fazer o PGR de riscos psicossociais sem contratar consultoria?
Sim. O próprio Ministério do Trabalho já declarou que empresas podem usar equipes internas de RH, psicologia e assistência social, seguindo o manual técnico publicado pelo MTE. Ferramentas de software também substituem boa parte do trabalho manual de coleta, cálculo de risco e geração de documentação — reduzindo a dependência de consultoria externa.
Fontes
- Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) — gov.br/trabalho-e-emprego
- Portaria MTE nº 1.419/2024 — gov.br/trabalho-e-emprego
- Guia Técnico de Riscos Psicossociais — Ministério do Trabalho e Emprego
- HSE Management Standards Indicator Tool — Health and Safety Executive (Reino Unido)